terça-feira, janeiro 27, 2026
Dor Dilacerante
sexta-feira, janeiro 23, 2026
Hoje ouvi esta música da minha favorita Nina Simone pela primeira vez.
Foi um outro pedaço em que o som do contrabaixo me fez ficar a ouvir o trecho em loop.
Há uma magia sonora que opera no nosso corpo e atravessa o coração.
Dizem que é o ritmo da percussão. O latejar nas veias, o pulsar que a pequena bomba emite e ninguém sabe até onde pode chegar.
(escrevi isto num story com a música When I was a young girl)
quinta-feira, janeiro 22, 2026
Consequência de ti
quarta-feira, janeiro 21, 2026
insta c reels a ouvir pássaros no anfiteatro
- por acaso, ao sentar-me no mesmo local onde estivemos pela primeira vez, já vai fazer este ano uns 20 anos, sozinha a ouvir os pássaros, apercebi-me que afinal não houve ninguém que eu, ao encontrar pela primeira vez sentisse de imediato que aquela era a pessoa com quem eu me via uma vida inteira até ao fim. e isso também me fez chorar. só um pouco. a vida e o amor são muito piores do que nos filmes. por isso é que eu só vejo romcoms totós volta e meia. por mais que hoje em dia também me façam chorar por lembrar de alguém que afinal nunca existiu, mas que esse sim era quem eu cheguei a imaginar que me pedisse logo na primeira vez que viesse ver-me à janela que fosse para sempre.
tu disseste que chorei chuva. sim, 'chovei', mas só duas lágrimas.
#onceuponatimeiwas #birdschirping #tbt #memo #noone blablablawhiskasaquetasblah
terça-feira, janeiro 20, 2026
não cairei de novo
domingo, janeiro 18, 2026
Do Amor
Eu acreditei no Amor, bastante, o suficiente para ter cedido a ele e ter lutado para ficar com ele tantos anos. Mas só o facto de se ter de lutar já é indicativo de que há problemas e de que não é para ser. Demorei muito a entender. Demorei muito a desistir. Pensar que alguém nos ama o suficiente para nos querer assim para sempre é algo fantasioso, na verdade. As pessoas acomodam-se, são boas a não se questionar, a deixarem-se estar, a não se darem ao trabalho de arriscarem e descobrirem que afinal estavam enganadas e deixaram-se ir.
Para muitos é tarde, sentem, ou dão essa desculpa a si mesmos. Tarde para desistir, para começar de novo. As pessoas vão morrendo ao poucos em vida. Seja na acomodação, seja na rotina.
O esforço de amar alguém e de fazer o exercício de estar em conexão com essa pessoa parecia-me algo desnecessário quando o amor existia e isso simplesmente bastava. Mas na realidade não é nada assim com ninguém. As pessoas esquecem-se, não prioritizam as outras e acabam por negligenciar o cultivo da relação. Acontece com toda a gente. Porém, eu tinha uma relação à distância que alimentava a paixão de cada reencontro e isso mascarava o resto das necessidades, de alguma forma. Só que esses disfarces não duram para sempre. Um dia a casa cai. A verdade explode-nos na cara e já não há como relevar.
Uma relação de amor implica isso mesmo: uma relação de amor. Um carinho, uma atenção, um cuidado, um olhar, um abraçar, um acompanhar. É uma longa maratona a percorrer. Eu queria fazê-la contigo, como talvez nunca tenha feito com ninguém. Mas não pude. Tu não foste quem me amou o suficiente para não me largar.
sábado, janeiro 17, 2026
Do que é feito o amor?
- Passa das 5h da manhã. Há uma hora atrás, enquanto acabava de ver o 2° episódio da série documental "Deus Cérebro", o meu olhar vislumbrou ao longe um pedaço do capôt coberto de geada desse carro, pela janela. Uma imagem que me lembrou de desolação.
Entretanto, já chove.
Pensei em ti, como sempre. Mas, enfim, mais uma vez com a resignação já antiga de "tu ne m'aimes plus". É, essa é a imagem. Fria e distante. Como o que me dá bronquite asmática.
(pus no insta com a música de reels de November Ultra)
quarta-feira, janeiro 14, 2026
Eu amo-te
Eternidade
Vocês, os três, menina e moços, eram perfeitos para mim exactamente sem tirar nem pôr. Foi uma espécie de um instantâneo amor.
Miragem II
O perigo de amar uma miragem é que, seja ela a de um oásis no deserto, ou a de um reflexo no espelho ou num lago, sempre acabamos a afogarmo-nos.
Tu ainda existes?
Escolheste existir como um servidor no final dos tempos; vieste ensinar o amor, até nos conventos. O ringue da morte é da pesada. Lutas, lutas e não levas nada. Vês as pilhas de cadáveres dos estudantes iranianos no passeio e, depois, o passeio percorrido vazio com um rastro infinito de sangues imprimido. E as crianças esfaimadas e enregeladas nas tempestades em Gaza.
Choraste pelas vitrines do horror. Uma mão cheia de terror. Vinte léguas ultramarinas ultrapassadas por ninguém vingadas e um submarino colonial a vigiá-las. Um dia foram bombardeadas, depois de séculos saqueadas.
Os pulhas não se alinham senão em pódios de tecnológico ódio e gaguez. Nunca se terá visto tamanha estupidez. E já a minha lucidez e alegada aclamada clarividência não traz luz nenhuma sobre uma saída do fundo do túnel.
A corda rebentou. O barco virou. A raiva não chegou a falar mais alto. Eles morreram todos, barriga no asfalto. Perdão: é mais costelas quebradas e caixa torácica rebentada, miolos estoirados, cérebros desactivados. No Nepal e na Bulgária funcionou. Em Portugal funcionou? No Irão não. Não sabe ninguém, nada. Ficou a potestade calada. A informação sonegada. Não há interesse em gates, no más, só alcatraz.
Os fantasmas da Hhistória regressam. Eles não são mulheres. Curiosamente não existem. Mas escolhem os talheres. Mas não o que insistem.
Eu sei que tu ainda existes. E odeias-me. E fazes muito bem. Porque eu fui dos teus piores inimigos, como tu foste de ninguém. Só te amo porque amar é condição incondicional, não tem solução, não se resolve, não é adicção, é só simplesmente natural. Eu amo-te, mundo mundo, mas não a ti pessoal.
Quando começa a paixão?
Talvez eu tenha sido sempre apaixonada por ti, até mesmo antes de saber que existias. Talvez até mesmo quando te vi pela primeira vez e escolhi o teu nome e me desiludi um pouco, ficando meio abespinhada também e nem sequer te segui. Talvez mais até depois quando tu e ele me falaram e eu pensei que não me podia entusiasmar tanto, que era bem capaz de fantasiar possibilidades (tendo eu impossibilidades) e que juntando-se características e atitudes de um e outro tínhamos alguém completamente ideal. Talvez tivesse é sido naquele dia que me disseste algo que me fez fugir de ter apercebido a possibilidade de te ser real. Talvez quando todos já me diziam e sonhavam e conspiravam e me enfureciam. Talvez tenha sido então depois quando me dei por convencida por todo o mundo, nomeadamente as tuas grandes amizades e pelas supostas flagrantes evidências. Esqueci-me o que eram as pessoas, dado tanto tempo de não estar a socializar nem inserida em grupos e deixei-me enganar pela mistura alucinogénica da minha hiperadrenalina a beirar o falecimento com a morte iminente, as drogas assassinas dos comportamentos de grupo; o clima do desespero do fim do mundo.
Demorei anos para entender e admitir, aceitar o que era mesmo, essa queda também mortal que é se apaixonar, desta vez sem ser sob sequer a desculpa atenuante de pensar que era por empatia.
A paixão apenas é confirmada. Ela sempre existiu como se espera um pássaro para um ninho. Essa é que é essa.
(dps d ver algo d escrito d amor dos tão bonitos miúdos Zé Ibarra e Maria Petrucci ❤️❤️ inspiraram e lembraram coisas de mim 😭)
Hoje o Amor
Hoje o Amor está no sorriso da menina-flor que nasceu no Nepal e veio para Portugal. Sozinha, deixou lá a sua família e veio trabalhar num restaurante onde encontrou colegas de lá também.
O nome dela é Yasuda - que desenhei por ter o mais belo rosto de pintura no antigo bule de porcelana chinesa -, Urmila (que a invejava e que foi provavelmente quem riscou o rosto no primeiro retrato que fiz), e tantos outros.
Ela tem o cabelo negro liso sedoso e um sorriso ora doce ora maroto. Todos brincam com ela. Ninguém brinca com ela. Ela é digna e amistosa, ela é também geniosa.
Hoje o Amor serve-se em pequenas e intensas doses, muitas vezes embrulhadas em conforto quentinho e salutar. Com molho. Com diferentes texturas. Com carnes e verduras. A fumegar. Eu amo momos. De qualquer que seja o lugar. Mas que tenham esse sorriso inigualável a acompanhar: a felicidade e alta energia sempre a flutuar.
terça-feira, janeiro 13, 2026
Curvas - Zeto do Pajeú
"eita, quanto tempo uma canção demora no meu peito"
(música bonitaaa - reescutei hj versão lindaaa de Lê - escrita pelo poeta da "capital da poesia" no Brasil, S. José do Egito q eu tinha partilhado há semanas no insta reels sobre tb, mais uma terra onde eu haveria de ir, é bastante como o meu Alentejo e provavelmente é mesmo de seus descendentes ❤️)
segunda-feira, janeiro 12, 2026
Das mortes
Eles foram-se embora
Um a um
E todos os dias
Lembrei-os
Inventei despedidas
Chorei um bocado
Tive o coração magoado
E pisado, invisível
Como uma mulher-a-dias
Que passa o tempo no chão
Perdi todos, tios, tias, irmãos
